O preço das casas em Portugal subiu 18,4% em um ano porque a crise de habitação junta gente chegando e casas faltando.
No segundo trimestre de 2026, o preço mediano das casas vendidas chegou a 2.445 euros por metro quadrado, alta de 18,4% em um ano, segundo o INE. Na Península de Setúbal, a subida foi de 22,2%.
O número chama atenção, mas ele é o sintoma. A crise de habitação em Portugal tem uma causa simples de explicar e difícil de resolver: mais gente precisando de casa do que casas disponíveis.
Aluguel em Portugal também subiu
Quem não compra aluga, e o aluguel em Portugal acompanhou o movimento. O aluguel mediano dos novos contratos chegou a 10,17 euros por metro quadrado no segundo trimestre de 2026, 10,2% acima do ano anterior, também segundo o INE.
Para uma família que acaba de chegar, esse é o preço que importa. Antes de pensar em comprar, ela precisa de um contrato, de um endereço e de uma escola perto de casa.
Quem está chegando
No fim de 2025, Portugal tinha 1.585.854 estrangeiros residentes, o equivalente a 13,9% da população, de acordo com o relatório da AIMA. Os brasileiros formam a maior comunidade, com 493.622 pessoas, ou 31,1% do total. Só em 2025, 115.709 brasileiros receberam novas autorizações de residência.
Cada uma dessas autorizações representa uma pessoa que vai precisar de um teto. A procura por moradia não vem apenas dos portugueses que querem sair da casa dos pais: vem também de uma nova onda de trabalhadores e famílias.
A falta de casas em Portugal
Do outro lado, a oferta não acompanha. O Banco de Portugal estima um déficit acumulado de cerca de 300 mil casas na última década. Em 2025, o INE estimou 30.425 fogos concluídos no país. As licenças aumentaram, mas uma licença leva anos para virar uma chave na mão.
Essa diferença entre o que se aprova e o que fica pronto ajuda a explicar por que os preços continuam subindo mesmo com mais projetos em andamento.
O que olhar no mercado imobiliário de Portugal em 2026
Para quem acompanha o mercado imobiliário de Portugal em 2026, três sinais importam mais do que a manchete do mês:
- Conclusões, não licenças: casa aprovada ainda não é casa disponível.
- Regiões fora do centro: a Península de Setúbal subiu mais do que a média nacional.
- Imóveis usados: reformar costuma ser mais rápido do que construir do zero.
O que observar nesse descompasso
A distância entre quem chega e o que existe para morar é o que define esse mercado. Reformar imóveis usados e alugá-los a quem está chegando é uma das formas de atender essa procura, e cada projeto carrega riscos próprios de obra, de licença e de venda.
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Conteúdo educacional. Não é uma oferta, recomendação de investimento nem aconselhamento jurídico ou fiscal.
Fontes
INE, Estatísticas de Preços da Habitação ao Nível Local e Estatísticas de Rendas da Habitação ao Nível Local, 2º trimestre de 2026; INE, construção 2025; AIMA, Relatório de Migrações e Asilo 2025; Banco de Portugal, estimativa citada em 2026.